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Segurança e proteção: Corpo de Bombeiros capacita militares para atendimento a mulheres vítimas de violência

O reconhecimento de sinais de violência, a avaliação de riscos e o acolhimento adequado das vítimas integram procedimentos que orientam a atuação d...

27/10/2026 às 08h59
Por: Redação Fonte: Secom Mato Grosso do Sul
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Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul

O reconhecimento de sinais de violência, a avaliação de riscos e o acolhimento adequado das vítimas integram procedimentos que orientam a atuação do CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul) no atendimento a mulheres em situação de violência.

Para fortalecer essas ações, a corporação, com apoio da Escolagov (Fundação Escola de Governo de Mato Grosso do Sul), promove capacitação - POP Procedimento Operacional Padrão - que estabelece diretrizes para o atendimento, desde o primeiro contato até o encaminhamento aos serviços competentes.

A medida considera as particularidades das ocorrências atendidas pelos bombeiros militares, que frequentemente chegam antes de outros profissionais ao local. Situações inicialmente registradas como quedas, acidentes ou outras emergências podem envolver contextos de violência não identificados de imediato, exigindo atenção ao ambiente, às condições da vítima e a possíveis sinais de risco.

Segundo o diretor de Ensino, Instrução, Pesquisa e Educação (DEIPE) do CBMMS, coronel Waldemir Moreira Junior, o protocolo amplia a capacidade de identificação dessas situações e orienta a resposta dos profissionais. “O POP orienta as equipes a reconhecer esses indícios, avaliar os riscos e prestar um atendimento técnico, seguro e humanizado, integrado à rede de proteção”, afirma.

O protocolo estabelece orientações para diferentes etapas do atendimento, desde o recebimento da chamada pelo telefone 193 até o registro da ocorrência e a transferência do cuidado. Entre as diretrizes estão a escuta acolhedora, a preservação da privacidade, a realização apenas das perguntas necessárias ao socorro e a prevenção de questionamentos repetitivos que possam causar constrangimento ou sofrimento adicional.

A atuação também envolve a avaliação da segurança da vítima, dos profissionais e de terceiros, a solicitação de apoio policial quando necessária e o registro objetivo das informações relevantes. A preservação de vestígios deve ocorrer sem comprometer as medidas de socorro, enquanto o transporte precisa seguir a regulação de urgências, garantindo segurança e privacidade.

A continuidade da assistência depende da articulação com os serviços da rede de proteção, que pode envolver saúde, segurança pública, assistência social e atendimento especializado à mulher. Nos casos que envolvem meninas, o protocolo prevê linguagem adequada à idade, atenção às necessidades

específicas de proteção e acionamento do Conselho Tutelar quando necessário.

>Coronel Waldemir Moreira Junior destaca a importância da capacitação
>Coronel Waldemir Moreira Junior destaca a importância da capacitação

Formação prepara militares para reconhecer sinais de violência

A capacitação busca transformar as diretrizes do protocolo em condutas aplicáveis à rotina operacional. O conteúdo aborda a avaliação de fatores de risco, a comunicação com a vítima, a preservação de informações relevantes e os procedimentos para encaminhamento aos órgãos competentes.

Um dos pontos centrais é compreender que a ausência de um relato explícito não afasta a possibilidade de violência. A observação do contexto e uma postura atenta podem contribuir para identificar situações que exigem medidas adicionais de proteção, respeitando os limites de atuação do Corpo de Bombeiros.

O diretor da DEIPE, coronel Waldemir, destaca a importância da parceria com a Escolagov para a formação continuada dos militares. “A parceria com a Escolagov contribui para ampliar o acesso a esse conhecimento e fortalecer a educação continuada no CBMMS. Nosso objetivo é transformar esse aprendizado em condutas concretas, para que cada mulher ou menina atendida encontre uma equipe preparada para acolher, proteger e contribuir para a continuidade da assistência”, afirma.

Para o sargento Michel Angelo Tingo Melin, do CBMMS, a capacitação ampliou a compreensão sobre a importância de observar as circunstâncias de cada ocorrência. “Para mim, o mais importante foi aprender a olhar para essas situações com mais atenção e sensibilidade. Como atuo no Serviço Motossocorro, muitas vezes somos os primeiros bombeiros a chegar ao local de uma ocorrência e a ter contato com a vítima”, destaca.

Segundo o militar, essa proximidade reforça a importância de estar atento a possíveis sinais de violência, que nem sempre são percebidos de imediato. “O curso me fez perceber que, além de prestar o atendimento necessário, precisamos estar atentos ao que acontece ao redor e entender que pode existir uma situação de violência que nem sempre é percebida de imediato”, relata.

Na prática, a atuação exige escuta sem julgamentos, respeito à vítima e cumprimento dos procedimentos estabelecidos. Diante de indícios de violência, cabe aos profissionais preservar a segurança e buscar o apoio dos órgãos competentes, conforme as circunstâncias identificadas.

O sargento ressalta a importância da abordagem humanizada. “Acredito que nosso trabalho não é apenas chegar rápido e prestar o atendimento, mas também tratar cada pessoa com humanidade, respeito e dignidade, especialmente em um momento de tanta vulnerabilidade”.

A integração entre procedimentos padronizados e formação profissional orientam a atuação do CBMMS para além da resposta imediata à emergência, contemplando também a proteção da vítima e a continuidade da assistência.

A capacitação permanece disponível na plataforma da Escolagov, em formato EAD autoinstrucional, ampliando o acesso dos militares da Capital e do interior à qualificação técnica e à atualização dos procedimentos operacionais, em conformidade com as diretrizes estabelecidas.

Mais informações sobre o curso para os militares do Corpo de Bombeiros: https://www.cursos.ms.gov.br/EscolaGov/Home/DetalhesEvento/4277

Raquel Passos, Comunicação Escolagov
Fotos: Divulgação/CBM

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